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08/06/2014

Um blog nunca morre. É como o jogo Tetris. Sempre vai existir alguma coisa para se dizer. As coisas a dizer não tem um fim.


Um blog nunca morre. É como o jogo Tetris. Sempre vai existir alguma coisa para se dizer. As coisas a dizer não tem um fim.

Dia desses fiquei pensando no quanto eu vivi "em estado vegetativo" quando morava na cidade grande. E foi neste estado vegetativo, quase em coma social e isolada do mundo que criei o blog. Voltei para minha cidade e, não sinto mais necessidade de reclamar de nada na Internet. Sinto que tenho mais a agradecer.

No íntimo tudo o que eu queria, nesses quinze anos que estive longe era voltar para terra onde nasci.

Minha vida ficou normal. Os conflitos internos resolvidos. A ansiedade diminuída. A autoestima recuperada. As crises existenciais superadas. Não há mais a necessidade de reclamar ou dissertar sobre o comportamento humano. Minha vida agora é observar e brincar com as pessoas que me rodeiam.

Certo que agora vejo os conflitos sociais mais de perto. Eu trabalho com pessoas ( crianças e adultos ) em vulnerabilidade social e tive que aprender a não somatizar para não adoecer também. Por isso tento transformar o mundo em que vivo em um lugar menos azedo. É por isso que entro e saio do trabalho brincando. Entro e saio de casa brincando. Nem eu reconheço a pessoa depressiva e mal resolvida que eu era.

Na cidade grande as pessoas são muito individualistas. Eu fui individualista ao extremo. Tão individualista que os conflitos sociais passavam por mim e eu nem tomava conhecimento. Do que eu tomava conhecimento ficava perplexa. Agora o máximo que posso fazer e tentar resolver.

Não tenho muito tempo para escrever no blog, mas quando escrever vou dissertar muito mais sobre aspectos relacionados à minha profissão. Das coisas que observei nesses meus trinta anos de magistério.

Estou bem. Bem por ter conseguido a tão sonhada paz interior. Eu poderia ter mergulhado na minha vida normal e deixado de escrever aqui. Mas daí pensei que a Luma, Chica, Carla, Leon, Dulce, Vinicius, Pandora, Dama, Dayane... (pessoas que conheço apenas do mundo virtual e acompanharam todo o meu histórico de depressão) iam gostar de ver que minha personalidade ficou estável. :)

E eu casei novamente. Com o mesmo marido. Havíamos perdidos as alianças ( ele perdeu a dele em e eu tirei a minha e perdi também - depois ficamos falando em comprar outra e não comprando por uns nove anos ) e no sábado compramos outro par. Coisa boa casar novamente com o mesmo marido depois de vinte e dois anos de casamento

11/05/2014

Minha mãe é assim



Minha mãe não sabe que eu tenho blog. Ela não sabe nem o que é blog.
A mesma mensagem que estou escrevendo aqui, escrevi no Facebook. Ela não tem Facebook mas adora ler lá, as mensagens que a gente escreve para ela.

É a mulher mais forte que eu conheço. Quisera eu pudesse ter um décimo da força que minha mãe tem. Ficou viúva aos 38 anos e nunca quis casar novamente. Decidiu viver apenas para os filhos e netos. 

Minha mãe é Guerreira. Atravessou tempestades de cabeça erguida. Muitas vezes eu notava que ela deixava de comer para poder repartir melhor o alimento entre seus cinco filhos... não comia para sobrar mais para a gente quando nós éramos muito pobres. 

Lutou incansavelmente para que seus cinco filhos fossem pessoas do bem e estudassem, e fizessem concursos, e passassem nos concursos para garantir uma vida melhor. Minha mãe sabia que esse era o caminho. 

Nos ensinou que a felicidade está nas coisinhas mais simples da vida. Tanto que todos nós temos orgulho de ter passado por muita dificuldade quando pequenos. Dificuldade que não nos fez menos felizes pois sentíamos o amor que ela tinha por nós. 

Minha mãe não acredita em depressão. Depressão ( para ela ) se cura indo lá na esquina e dando umas boas risadas. O que sinto por ela é tão forte que chega a doer. Se eu voltei para minha Terra natal foi muito mais para não te vê-la angustiada por eu ser a única filha que estava longe. 

Sempre que a encontro abraço forte. Abraço porque sei que a vida é um sopro. Um dia poderemos não nos ver mais. Se eu ficar quero sempre ficar com a certeza que a abracei muito e disse o quanto a amava. Se ela ficar quero que fique com a certeza que vivi intensamente e fui feliz nos vários pequenos instantes que estivemos juntas. 

Eu não sou muito boa em declarações de afeto. Escrevi isso pela manhã no Facebook e chorei. Quando fui abraça-la e dizer pessoalmente o quanto a amava, chorei. Ou melhor, quis chorar. 

Minha mãe me disse ( bem no estilo dela ) "nada de choro", "hoje é festa". Minha mãe não tem muita paciência com gente chorona.