Você está lendo o Diário de Iza.

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Quando eu estufei o peito ela me perguntou porque eu ainda não tinha feito a cirurgia de reconstrução.

Tinha uma ginecologista que eu ia até 1998. Não lembro por que tinha parado de ir lá. Sei que tinha resolvido consultar com outras. Ontem, fiquei com vontade de voltar lá. Fazer com ela os exames de rotina. Os tais exames para saber como andam “as partes baixas”. 


Ela se surpreendeu quando disse que tive, Ca de mama em 2011. Notei que ficou surpreendida com minha nova maneira de ser. Em 1998, quando lá estive eu estava começando uma crise intensa de depressão. 

Quis que eu tirasse toda a roupa. Queria ver também a cicatriz da mastectomia. 

Quando eu estufei o peito ela me perguntou porque eu ainda não tinha feito a cirurgia de reconstrução. Foi quando disse para ela que a falta de uma mama não me fazia menos mulher. Que o uso de uma prótese interna jamais substituiria a mama que eu havia perdido. Que mamas servem apenas como valor estético. 

E parei de falar enquanto ela me examinava. Fiquei pensando que aquela cicatriz era um marco para mim. Como um soldado no campo de batalha adquire uma cicatriz que simboliza a batalha que venceu, eu tinha uma cicatriz para lembrar que o que importa mesmo é sempre o espírito de alguém e nunca o formato do corpo desse alguém. 

No final da consulta eu disse para a doutora que, nestes quatro anos depois da cicatriz, eu vivi o que não tinha vivido em quarenta e cinco anos antes dela. Que finalmente tinha conseguido vencer a depressão que tinha dado origem ao Ca de mama.

O leitor deve estar se perguntando porque estou escrevendo isso. Escrevo isso mais para situar os que gostam de ler o que escrevo. Para mostrar que esta é a marca divisória das mulheres: a que eu era e a mulher que me transformei.

E tem gente que diz: "como a Belinha se acha!"

Mas, gente! Como eu não vou me achar se passei mais de quarenta anos me perdendo e me sentindo inferior a todo mundo? Não é que eu me ache. Só estou me amando mais. Tendo um relacionamento sério comigo mesma. Isso não é bom? 


5 comentários:

  1. Se amar é muito bom e dá uma certeza maior ao ir avante! bjs praianos,chica

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  2. Por isso os homens têm medo das mulheres com mais de quarenta! Saber o que nos faz feliz e que isso não depende de nada mais do que estarmos de bem com nós mesmos é um processo lento só alcançado pela superação dos nossos medos.
    :)
    Beijus,

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  3. O que importa é ser feliz!
    ... E esta médica aprendeu muto naquele dia!

    Bj!

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  4. Que bom Iza!!! Que lindo ouvir/ler você dizendo isso!

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  5. Olá Iza,
    como há de reparar, estou entrando aqui agora, e conhecer você/blog neste post é especial.
    Cada mulher tem sua própria maneira de encarar e resolver sua vida depois duma luta de tal envergadura - todas são válidas se a mulher fica bem. Certamente, mais importante que a cicatriz, é superar a depressão que vivia - maravilhoso.
    um bj

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