Namorar e ter namorado era algo muito feio.

A professora disse para a mãe que a filha dela ( da mãe ) estava namorando. 

A guriazinha não tinha nem cinco anos e o namoro, com outro coleguinha da sala, era apenas de pegar na mão do coleguinha.

Eu não sei o que se passava na cabeça da guriazinha quando disse para a professora que já tinha namorado e que o namorado era o coleguinha de aula. Não sei a ideia que a guriazinha fazia do que seria um namoro.

Só o que sei é que a professora ouviu e, entusiasmada, pensando que a mãe não ia se importar, contou para a mãe num misto de euforia e vontade de fazer graça.

Ninguém compreendeu porque a mãe reagiu daquela forma, dizendo para a professora que não queria - de forma alguma - que a filha dela namorasse ou insinuasse estar namorando naquela idade. E ponto final, disse a mãe. Que a filha era dela e ela era quem sabia a idade certa para a filha pensar em namoro.

A professora só fez se calar. Afinal não tinha acontecido nada demais. O que poderia acontecer entre crianças que ainda nem tem cinco anos?

Quando soube do acontecido fiquei pensando na minha infância. Namorar e ter namorado era algo muito feio. Tão feio que só podia acontecer - nas palavras do meu pai - quando se tivesse uns trinta anos.

Penso que atitudes como a da mãe, que ao invés de procurar saber qual o conceito de namoro, no imaginário da filha, preferiu tornar a palavra e o ato, proibido aos olhos da criança, contribui para que filhos façam cada vez mais, coisas escondidas dos pais.

Não seria melhor que conversasse com a filha para saber em que circunstâncias o namoro estava acontecendo? Na maior parte das vezes o que a criança pensa ser namoro é apenas uma manifestação de carinho mais forte pelo outro.

Comentários

  1. Quanto exagero por parte da mãe! Que reação desproporcional... essa coisa de ser professora não é fácil não ein!

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  2. Noutro dia estava zapeando na tv e parei em um canal em que o pai fazia as vezes de um namorado para a filha. Ela queria saber como era e tinha também uns 5 anos. Ela se arrumou para um encontro e ele foi buscá-la. Foram em um restaurante e ele lhe deu flores e quando a deixou em casa deu-lhe bombons. Tratou-a como princesa. Sabemos que não é assim a realidade e é um tanto sublimar esse tipo de "brincadeira". Os pais são muito incoerentes quando protegem demais os filhos.
    Beijus,

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  3. "Namoro" de criança nessa idade é coisa de anjo: inocência pura e é tão bom.
    Arrisco dizer que é o único tempo - e tão fugaz que é - em que o ser humano vive da maneira como deveria viver durante toda a vida: com pureza de alma.
    bj amg

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