Significado da palavra amizade e os padrões da sociedade

Sempre foi muito difícil para mim me adequar aos padrões estipulados pela sociedade. Um deles é sobre o significado de Amizade.

Para a maioria das pessoas, ser amigo ou amiga é estar sempre juntos, numa cumplicidade eterna e, muitas vezes, é quase como um casamento com a pessoa sem a parte do relacionamento sexual.

Para mim, amizade tem um sentido muito amplo. Tão amplo que basta que eu tenha me encontrado uma única vez com a pessoa e, nessa única vez, seja pessoalmente, através de blog, rede social, trabalho, enquanto estudante ou numa esquina da vida, tenha trocado palavras de solidariedade, experiências de vida ou estabelecido uma fraterna relação de afeto.

Talvez isso signifique um pouco de individualismo da minha parte. Principalmente o fato de não ser muito chegada a fazer visitas ou ser visitada pelas pessoas. Mas é uma forma de preservar a amizade. 

Somos como pequenos planetas dentro desse planeta Terra. Cada um de nós com sua individualidade e são bilhões de individualidades diferentes, então não dá para criar um conceito padrão e pedir que todo mundo se encaixe. 

Escrevo isso para dizer que quando chamo de amigo ou amiga é sobre o que eu penso que seja uma amizade e não como a sociedade determina.


Estamos todos, em algum nível, adoecendo de ódio.

O texto abaixo, encontrei no Facebook e, é tão como sinto que resolvi reproduzir aqui.

Maria Gabriela Saldanha


Estamos todos, em algum nível, adoecendo de ódio. Nas redes, adoecemos com as notícias, adoecemos por escrito. Talvez só os memes guardem um determinado nível de sanidade. Precisamos redescobrir alguma literatura. Quem sabe deixar que o silêncio reencante as conversas, para reencantar os olhares, para reencantar abraços, gradativamente.

O Facebook é o lugar do ódio, o Sarahah é o lugar da covardia, o Instagram é o lugar da inveja, o Twitter é o lugar do deboche. Vivemos todas as emoções tóxicas possíveis sem que ninguém saia de casa. O mundo nos envenena no sofá.

Ninguém sabe se o caminho é sumir, se o caminho é lutar, se o caminho é fingir lutar porque essa é a moda que impera em meio às subjetividades. Estamos todos perdidos, afogados em opiniões, alimentando a demanda por informação, esperando o like, tentando fazer justiça, sonhando destruir o Congresso, sem desligar a mente, sem ouvir o coração. Traímos a nossa natureza, que está conosco todos os dias, atropelando nossas próprias necessidades para que nos enquadremos a todo custo nessa dinâmica de comunicação.

Talvez já sejamos quase integralmente máquinas. Como todas as máquinas, frias, desertas, de argumentos rígidos, com baixos sentimentos no refrão. Mas de repente nos ocorre um eclipse de surpresa, ou uma aula de dança no meio da rua, uma visita de amigos, uma ajuda incalculável, um convite para viajar, uma bebida, uma frase de amor, algo qualquer que nos mostre tanto que estamos doentes de tudo quanto que máquinas não adoecem. O que pode significar um lampejo de esperança. Só adoeceu aquilo que se encontrava suficientemente pulsante. Lembramos de como éramos para reescolher o que somos. O copo está meio cheio. Deletamos a noite, amanhã o dia é outro.